domingo, 24 de novembro de 2019

Uma iniciativa do Bloco de Esquerda

Pelo seu Grupo Parlamentar, a quem agradecemos a amabilidade de ter informado, aqui ficando o texto integral. Os Partidos contam!




PROJETO DE RESOLUÇÃO Nº 46/XIV/4ª
RECOMENDA A SUSPENSÃO DAS DRAGAGENS NO PORTO DE SETÚBAL
Como é do conhecimento público, a Administração do Porto de Setúbal e Sesimbra, S.A. (APSS), apresentou e viu aprovado um projeto de melhoria da acessibilidade marítima ao Porto de Setúbal.
O justificativo de toda a obra é adaptar o acesso marítimo aos terminais do Porto de Setúbal à evolução da procura de tráfego contentorizado esperado no futuro e visa concretizar o previsto no Projeto de Construção do Terminal de Contentores/Plataforma Multimodal.
O projeto contempla um conjunto de dragagens que oferecerá possibilidade de acesso, numa 1ª fase (Fase A), aos navios do tráfego Short - Sea/Panamax de tipo Under-Panamax de 3000-4000 TEU até 12m de calado, e numa 2ª fase (B) do tipo Panamax de 4.000-6.000 TEU com calados até 13m.
Do conjunto destas duas fases A e B, está previsto um total de sedimentos dragados de mais de 6.300m3. Não existe conhecimento científico que possa assegurar que esta intervenção não provoque um desastre natural e ambiental de consequências devastadoras e irreversíveis em área da Reserva Natural do Estuário do Sado, que tem proteção legal conferida através do Decreto-Lei nº 430/80, que a criou, mas que está igualmente classificada a nível europeu como Zona de Proteção Especial para as Aves (PTZPE0011 - Estuário do Sado) ao abrigo da Diretiva Aves e como PTCON0011 - Sítio Estuário do Sado ao abrigo da Diretiva 92/43/CEE ao abrigo da Diretiva Habitats. É ainda um Sítio Ramsar, ao abrigo da Convenção de Ramsar, como Área Importante para as Aves Europeias e é um Biótopo CORINE (C14100013) ao abrigo do programa CORINE 85/338/CEE.
O estuário é também local de nidificação para numerosas aves (cerca de 220 espécies) e acolhe uma população de roazes-corvineiros, sendo esta a única população residente de cetáceos que em Portugal utiliza um estuário como área de alimentação e reprodução, revelando-se assim de uma inegável importância ictiológica, servindo de maternidade para várias espécies de peixes e outras espécies marítima.
Durante 7 anos, uma equipa de biólogos estudou as zonas marinhas que na costa portuguesa deveriam ser classificadas como Rede Natura 2000. Um dos principais objetivos era a proteção de cetáceos, nomeadamente golfinhos.
Apesar de em 2016 ter sido realizada a discussão pública da proposta resultante do estudo, nunca existiu uma decisão definitiva. Só em agosto, do passado ano ocorreu nova discussão pública, desta feita para definir os planos de gestão que definem como serão mantidos os valores naturais das zonas, nomeadamente recifes e bancos de areia. No entanto, das 4 zonas propostas para proteção, apenas avançaram duas delas. As duas zonas que colidem de forma evidente com as dragagens da entrada do Rio Sado - para que o Porto de Setúbal receba navios de maior dimensão, ficaram de fora da proposta.
A exclusão das duas áreas referidas não serve os objetivos de conservação da natureza a que o governo está vinculado. Retirar duas áreas de conservação por conflituarem com as dragagens do porto de Setúbal não é aceitável, dado que o trabalho de 7 anos as identificou como áreas a proteger.
O Rio Sado, o seu estuário e toda a sua envolvente, representa um património de todos e para todos, quer pela relação umbilical com as populações que dele usufruem quer pela sua diversidade ambiental, ecológica, económica e social. Não pode ser visto como algo abstrato e mero instrumento de interesses económicos especulativos privados, em desfavor dos interesses públicos, regionais e nacionais. A preservação do ativo natural constituído pelo Rio e Estuário do Sado, pela Serra da Arrábida e pela Península de Troia são, incontornavelmente, e em rigor, um imperativo nacional.
Neste quadro, o Bloco de Esquerda realça as contribuições positivas e as iniciativas que vários grupos de cidadãos e organizações vêm trazendo ao conhecimento da comunidade, alertando-a e esclarecendo-a.
Face ao exposto e considerando que a Sustentabilidade Ambiental e as Pessoas estão primeiro, que a Preservação do Ambiente e dos Ativos Naturais deve ser a principal causa Humana, e que as dragagens ainda não tiveram o seu início, o Grupo Parlamentar do Bloco de Esquerda, entende a necessidade de o Parlamento dirigir uma recomendação ao Governo no sentido da suspensão imediata deste processo de forma a garantir um maior esclarecimento e apuro das necessidades deste projeto, sua dimensão, período de intervenção e impactos ambientais, económicos e sociais na região. O Grupo Parlamentar do Bloco de Esquerda, apresenta, assim, o seguinte projeto de Resolução:
Ao abrigo das disposições constitucionais e regimentais aplicáveis, a Assembleia da República recomenda ao Governo a suspensão do processo relativo às dragagens do Sado, da responsabilidade da Administração dos Portos de Setúbal e Sesimbra, assegurando complementarmente formas de um maior esclarecimento e apuramento das necessidades deste projeto, sua dimensão, período de intervenção e impactos ambientais, económicos e sociais na região.
Assembleia da República, 08 de novembro de 2019.
As Deputadas e os Deputados do Bloco de Esquerda,

sexta-feira, 22 de novembro de 2019

Uma iniciativa do PAN



A quem agradecemos a amabilidade de ter informado. Os Partidos contam!


"Ainda esta semana apresentámos mais uma iniciativa para travar as dragagens: https://www.ambientemagazine.com/pan-pede-revogacao-da-autorizacao-para-as-dragagens-no-sado/?fbclid=IwAR3rKSBowVvg42bnRSSBPMrhTM_5J_g1vnsd6-49vkWOdh-QJIKOSeYq4hU
https://www.parlamento.pt/ActividadeParlamentar/Paginas/DetalheIniciativa.aspx?BID=44032"

Aqui fica o texto integral:



Projecto de Resolução n.º 33/XIV/1ª
 
Recomenda ao Governo que revogue a autorização concedida à Administração do Porto de Setúbal para avançar com as dragagens no Sado
 
O Projecto de Melhoria da Acessibilidade Marítima ao Porto de Setúbal, refere-se à intervenção que a Administração do Porto de Setúbal e Sesimbra (APSS) pretende proceder no leito do rio Sado, com o sentido de melhorar a competitividade do Porto, aumentando a sua capacidade de receber contentores (TEU).
Para aprofundar as cotas de serviço dos canais e bacia de rotação, serão efectuadas dragagens nos bancos de areia existentes no rio Sado, correspondendo à movimentação de 6 500 000 m3 de areia.
Ao contrário do que APSS e a anterior Ministra do Mar tentaram demonstrar, estas dragagens não têm qualquer precedente e não se assemelham às dragagens de manutenção que o canal sofre regularmente. Entre 2010 e 2015 foram removidos 680 523 m3 de sedimentos, sendo que só na fase A deste projecto serão removidos 3 467 518 m3, ou seja, 5 vezes mais sedimentos do que foi retirado em 5 anos. Na totalidade, serão removidos 9 vezes mais sedimentos do canal do que se removeu entre 2010 e 2015 nas dragagens de manutenção.
É importante referir que localização destas dragagens se encontra na imediação da Reserva Natural do Estuário do Sado e do Parque Marinho Professor Luiz Saldanha, zonas estas protegidas pelas Directivas Comunitárias Habitats (Directiva 92/43/CEE) e Aves (Directiva 79/409/CEE).
A área a intervencionar encontra-se dentro do plano de extensão da protecção do Estuário do Sado, que se encontra em fase de aprovação há 7 anos[1].
Não é invulgar a inércia do Governo Português na classificação e protecção de áreas protegidas pelas directivas, por isso a Comissão Europeia, em Abril de 2018,  intentou uma acção no Tribunal de Justiça da União Europeia (TJUE) [2] a qual veio a ser considerada procedente e no dia 5 de Setembro. O TJUE  declarou que Portugal não cumpriu as obrigações exigidas na Directiva Habitats, nomeadamente a designação dos SIC em causa como ZEC e falha na implementação de medidas de conservação, referindo que as medidas que Portugal apresentou são genéricas e têm carácter apenas orientador e que “não satisfazem as exigências ecológicas de cada espécie e de cada tipo de habitat presente em cada SIC em causa.”
Este projecto foi alvo de Avaliação de Impacto Ambiental, que teve parecer favorável condicionado, apesar de apresentar inúmeras lacunas e medidas mitigadoras insuficientes.
Dentro dos principais impactos referidos no Estudo de Impacto Ambiental, são expectáveis impactos negativos nas pradarias marinhas (habitat 1320 e 1410), zonas de sapal (1130) e vasa adjacentes à área de implantação do projecto, sendo que serão afectadas pela deposição de sedimentos em suspensão e poderão ainda ser afectadas pelo aumento da turbidez da água.
No que diz respeito aos invertebrados marinhos, a comunidade bentónica será a mais afectada no decorrer da sucção, transporte e deposição dos dragados, podendo-se verificar elevadas taxas de mortalidade por asfixia, choque mecânico ou compactação na sequência da deposição dos sedimentos.
Revela ainda que, os cefalópodes mostram danos fisiológicos permanentes como consequência de exposição permanente de ruído de baixa frequência, o que pode ser problemático para a espécies protegidas dos golfinhos-roazes que se alimentam dos mesmos. Relativamente às medidas de mitigação, o EIA refere que não existem medidas de minimização para este impacto.
Os impactos negativos na ictiofauna refere principalmente a possibilidade de se registar uma mortalidade significativa nas larvas e juvenis de peixes, durante as operações da dragagem.  Ainda, referem que as espécies Dasyatis pastinaca, Mustelus mustelus e Myliobatis aquila que encontram estatuto vulnerável e Raja clavata (espécie ameaçada e em declínio na Convenção OSPAR) ocorrem na região, principalmente na zona de deposição na base do delta.
Também, o ruido subaquático gerado pelas embarcações, pelos motores de sucção e pela deposição das dragas e a perturbação mecânica e turbidez na coluna de água causadas pela dragagem e pelo assentamento dos sedimentos, encontram-se entre os impactos mais significativos para a conservação da natureza, incidindo principalmente na comunidade residente de golfinhos-roazes, esperando-se alterações comportamentais de curto-prazo e efeitos de mudanças na disponibilidade local de presas.
A presença de três dragas por vários meses irá representar uma alteração ambiental significativa para estes mamíferos, sendo que numa zona semelhante na Escócia, as operações de dragagem provocaram alteração de comportamento, abandonando a zona onde habitavam.
Existem graves lacunas técnicas de conhecimento, tal como é demonstrado no capítulo 11 do EIA, referindo que o “modo de execução da obra e o tipo de equipamento a utilizar, bem como por se tratar de uma intervenção num sistema natural sobre o qual ainda dispomos de informação limitada e insuficiente”. Ainda refere que era importante a “existência de um conhecimento detalhado sobre os povoamentos biológicos em grande parte dos locais a intervencionar e a sua importância para a alimentação dos golfinhos-roazes”.
Também é revelado que não possuem informação do nível de ruído que será gerado quer na fase da construção como na fase de exploração, pelo que não têm conhecimento real do impacto nas comunidades residentes do estuário do sado.
O relatório da Comissão de Avaliação determina ainda que “no que diz respeito ao fator geologia e geomorfologia, a magnitude dos impactes que esta obra provocará encontram-se subavaliados” e que uma “análise mais global permite concluir que o EIA não confere um grau de magnitude e significância adequado aos impactes negativos, subestimando-os e que não atribui o devido impacte negativo à ampliação do Terminal Ro-Ro.
Para além dos efeitos directos nas zonas protegidas já referidas, não foi considerado no EIA o impacto do tráfego rodoviário nas zonas envolventes, devido à contribuição da movimentação de contentores no porto, pelo que a CA determina que os níveis de ruído indicados “poderão estar subestimados”.
Não foi apresentado um Estudo de Tráfego pelo que, segundo o IMTT “não é possível avaliar o impacto do aumento do tráfego rodoviário que resultará da implementação do projeto em análise, na Rede Rodoviária Nacional, o qual poderá eventualmente, motivar a necessidade de intervir na rede.” Refere ainda a “ausência de uma componente relativa a eventuais necessidades de medidas de adaptação aos efeitos das alterações climáticas.”
 
Acresce que no decorrer das obras preparatórias a este projecto, foi removida a zona submersa do afloramento arenítico “Pedra Furada” que se encontra classificado como geomonumento com mais de 2 milhões de anos, apesar desta não constar no EIA, e nunca ser referido em qualquer fase do processo AIA, não existindo portanto parecer da Direcção Geral do Património Cultural sobre esta remoção.
Este projecto tem sido caracterizado por falta de transparência, numa tentativa da APSS de minimizar os reais impactos deste projecto perante a opinião pública. Não se compreende a aprovação do EIA, apesar de todas as lacunas que apresenta, evidenciadas no relatório da Comissão de Avaliação.[3]
A empreitada autorizada comporta, pois, como se vê, um risco demasiado elevado para o Estuário, facto que motivou o recurso à justiça por parte de uma associação local e que se traduziu no provimento parcial, pelo Tribunal Central Administrativo do Sul, do recurso por aquela apresentado, o qual remeteu para a primeira instância a apreciação do pedido de suspensão da empreitada.
Desde então várias associações locais, piscatórias e turísticas têm vindo a manifestar-se publicamente em várias manifestações contra esta intervenção, não aceitando a destruição que este projecto irá provocar no meio natural, no turismo e na actividade piscatória.
Dado que alguns dos impactos poderão ser irreversíveis, como alta mortalidade de ictiofauna que consequentemente irá ter efeitos imprevisíveis nas comunidades de mamíferos marinhos e avifauna do estuário do sado, não se acredita que haja medidas de mitigação que possam minimizar estes efeitos, frisando ainda que segundo o EIA existe falta de conhecimento técnico acerca dos impactos que este projecto possa ter no ecossistema adjacente (Estuário do Sado).
Assim, a Assembleia da República, nos termos do n.º 5 do art. 166.º da Constituição, por intermédio do presente Projecto de Resolução, recomenda ao Governo que revogue, sem mais, a autorização concedida à Administração do Porto de Setúbal para avançar com dragagens no Sado.
 
 
Assembleia da República, Palácio de São Bento, 7 de Novembro de 2019
 
As deputadas e o deputado,
 
André Silva
Bebiana Cunha
Cristina Rodrigues
Inês de Sousa Real

segunda-feira, 14 de outubro de 2019

Que barcos no futuro?


Um exemplo, os navios atracados no Porto de Sines com o qual se pretende competir:


Navios atracados

Escala
Contramarca
IMO
Navio
Tipo navio
Origem / Destino
Desde
67012019001809
URANUS II
Transporte de Gado
TR - TASUCU / IL - HAIFA
2019-10-12 14:50
67012019001850
SCALI REALI
Transp. Gás Liquefeito
BE - ANTUERPIA (ANVERS) / NL - TERNEUZEN
2019-10-14 09:15
67012019001833
WILSON SKAW
Carga Geral
ES - BILBAO / IS - HUSAVIK
2019-10-14 10:45
67012019001869
BAHIA TRES
Navio-Tanque
PT - LISBOA / PT - LISBOA
2019-10-14 14:10
67012019001748
MSC MADRID
Porta- Contentores
BE - ANTUERPIA (ANVERS) / GR - PIRAEUS
2019-10-14 14:45


Quem são??

URANUS II, até é pequeno

MSC Madrid, já é grandinho…
Comprimento de fora a fora (LOA) x Largura extrema: 270.4m × 40.06m

Imaginem-no no Sado. Mais 3 ou 4 provavelmente. Todos os dias.




Mais uma Acção - Comunicado SOS Sado




SOS SADO – Comunicado de imprensa

SOS Sado pretende que estudo de impacto ambiental do projecto de melhoria da acessibilidade marítima ao porto de Setúbal seja declarado nulo.

O movimento SOS Sado através da associação DOLPHIN CARAVEL, interpôs uma acção administrativa especial de impugnação do acto de Avaliação do Impacte Ambiental referente ao projecto denominado “Melhoria da Acessibilidade Marítima ao Porto de Setúbal”.
Na impugnação que visa a Agência Portuguesa do Ambiente e a Administração dos Portos de Setúbal e Sesimbra, o SOS Sado invoca que os factos descritos constituem uma violação do direito de participação pública, atempada e informada. A consequência desta violação é a nulidade do procedimento de AIA, com idênticas consequências sobre o acto autorizativo da obra de dragagem.

Para além desta acção, o movimento solicitou também ao Ministério Público a abertura de um inquérito à actuação do anterior Capitão do Porto de Setúbal, LUIS NICHOLSON LAVRADOR, por este se ter recusado a investigar a obra ilegal que a Administração dos Portos de Setúbal e Sesimbra realizou num afloramento granítico que integra a formação rochosa popularmente conhecida como "Pedra Furada".
Consideramos estar perante a eventual prática de um crime de denegação de justiça, que competirá ao Ministério Público de Setúbal agora investigar.

Esta situação constitui mais um episódio numa longa série de falhas de actuação das autoridades que deveriam zelar pela legalidade do procedimento, pela defesa das populações e pela defesa do ambiente, e manifestamente não o têm feito. Por outro lado, mais uma vez esquece-se que os factores socioeconómicos não devem ser aqueles que determinam a execução ou não dos projectos, quando todos os restantes factores, nomeadamente, os ambientais, exigem que esses projectos não sejam executados. In dubio pro ambiente, ou seja, na dúvida sobre se determinado projecto causa ou não danos irreversíveis ao ambiente, o mesmo não deve avançar. No caso das dragagens do Rio Sado, essas dúvidas são certezas.

Numa altura em que as preocupações com a protecção do meio ambiente estão na mente de todos, exige-se do Estado uma postura totalmente diferente perante esta agressão a um ecossistema reconhecidamente tão sensível.
Não baixaremos os braços nesta luta pelo Sado, pelo património colectivo nacional e pela transparência.

SIM AO SADO, NÃO ÀS DRAGAS!

Estratégia “Horizonte 2026” – respectiva a todos os Portos de Portugal




Expansão do Porto de Sines Vs Novo Terminal mas também o de Setúbal e não só?! 

É o “Horizonte 2026” afinal.

Então, vejamos, ao mesmo tempo que se pretende construir um novo terminal, Terminal Vasco da Gama,  este fim de semana – Outubro 23019,  temos o anúncio de expansão do porto já existente ir ser duplicado ?

“O Governo estima que até 2039 vão ser criados 900 postos de trabalho no terminal XXI do Porto de Sines, na sequência de um investimento 660,9 milhões de euros.”


Exacto… no total são mil e trezentos milhões de euros de investimento…?!?!?!


“A Ministra do Mar anunciou novos investimentos para o porto de Sines. São 1.300 milhões de euros. O terminal 21 entre a PSA e o Porto de Sines vai ser alargado, um investimento privado de 640 milhões de euros para permitir ao porto de Sines duplicar a capacidade de movimentação de contentores.”


Mas… a expansão do Porto de Setúbal é então para fazer competição aos outros, nomeadamente a este, que entretanto vai também ser aumentado… isto faz sentido a alguém?

E promovido de uma forma ou de outra pelos mesmos, nomeadamente  o Governo?!

A APS - Administração dos Portos de Sines e do Algarve congratula-se com a decisão do Governo aprovada hoje, em reunião do Conselho de Ministros, dos diplomas que estabelecem as bases da concessão do novo Terminal Vasco da Gama e a ampliação do atual Terminal XXI.
As decisões tomadas têm como objetivo aumentar a capacidade no segmento da carga contentorizada do Porto de Sines assim como responder à procura existente, concretizando um dos pontos fundamentais da Estratégia para o Aumento da Competitividade da Rede de Portos Comerciais do Continente – Horizonte 2026, na qual a Ministra do Mar, Ana Paula Vitorino, destacou como sendo  “um momento importante para o sistema portuário nacional e para a economia nacional, afirmando os portos nacionais como uma referência num setor de atividade altamente competitivo a nível internacional”.
Tudo isto se enquadra então pelo “Estratégia para o Aumento da Competitividade da Rede de Portos Comerciais do Continente – Horizonte 2026”.

Aqui deixo mais informação.

Mas nesse caso, sendo o projecto de expansão do Porto de Setúbal de 2016 e este projecto de 2017… nasceu o filho antes do pai?!






Para se ter uma ideia, mais uma vez, da escala das coisas, compare-se com o Orçamento de Estado.

Relembro: “A Ministra do Mar anunciou novos investimentos para o porto de Sines. São 1.300 milhões de euros”.

Ou seja, o equivalente portanto ao OE para a Ciência e Ensino Superior (gráfico de 2015 não muda muito!)


terça-feira, 8 de outubro de 2019

Mas afinal o que é que se passa?

É simples e em resumo:


"Cofinanciado pelo COMPETE 2020, o projeto de Melhoria dos Acessos Marítimos ao Porto de Setúbal visa adaptar o acesso marítimo aos principais terminais de movimentação de mercadorias do porto de Setúbal ao aumento da procura de tráfego contentorizado, tendo em conta a evolução qualitativa e quantitativa dos navios e suas exigências em termos de segurança e desempenho operacional. 
O projeto consiste na realização de um conjunto de dragagens de aprofundamento nos canais de navegação do Porto de Setúbal, de modo a permitir a entrada de navios de maiores dimensões, tecnologicamente mais eficientes e integrados em linhas regulares."


Fonte:
https://www.compete2020.gov.pt/noticias/detalhe/Proj34126-Portosetubal-NL170-Infraestruturas-30082018


https://www.portodesetubal.pt/files/2018/Ficha%20de%20Operacao%20_Melhoria%20dos%20acessos%20mar%C3%ADtimos_30_07_2018.pdf




O assunto não surge de repente em 2019, vem sendo previsto desde pelo menos 2015, como podem ver ( até para maior detalhe) no link abaixo (documento do parlamento português):


http://app.parlamento.pt/webutils/docs/doc.pdf?path=6148523063446f764c324679626d56304c334e706447567a4c31684a53556c4d5a5763765130394e4c7a45785130465056455251544567765247396a6457316c626e52766330466a64476c32615752685a4756446232317063334e68627938784e6a4e6b4f574d784e53316a4f446b304c5452694f5755744f5755324e5330784d3245794d3259314e4749784e7a55756347526d&fich=163d9c15-c894-4b9e-9e65-13a23f54b175.pdf&Inline=true


No qual destacamos


"
4. DEFINIÇÃO E DESCRIÇÃO DAS INTERVENÇÕES A REALIZAR




FASE A: Barra dragada a -15,0mZH; e Canal Norte dragado -13,5mZH:


Descrição: Dragagem do canal de navegação para receção de navios porta-contentores de 3.000-4.000 TEU (Lff=225-270m; D=12,0-13,2m; B=30,6-32,6m); Cotas de Dragagem: Barra e Central -15,0mZH e no Canal Norte -13,5mZH; Larguras de rasto: Barra e Central 200m, Zona Central 280m e Canal Norte var. 250-280m; Taludes de dragagem: 1:10 (V:H); Bacia de rotação: diâmetro 500m; Volume de dragagem: 3,467,518m3 (sendo 1,739,065m3 na Barra, 160,775m3 na zona central e 1,567,679m3 no canal norte); Deposição: 1,878,298m3 no aterro nascente do Ro-Ro (com proteção marginal em enrocamentos) e restantes 1,589,220m3 na base do delta do estuário, entre as batimétricas -3 e -8mZH; Restrições de maré e/ou ondulação: aplicáveis aos maiores navios.


FASE B: Barra dragada a -16,0mZH; e Canal Norte dragado -14,7mZH:


Descrição: Dragagem do canal de navegação para receção de navios porta-contentores de 4.000-6.000 TEU (Lff=270-280m; D=13,0-14,0m; B=32,6-42,0m); Cotas de Dragagem: Barra e Zona Central -16,0mZH e no Canal Norte -14,7mZH; Volume de dragagem: 2,870,128m3 (dos quais 1,240,664m3 na Barra, 94,340m3 na zona central e 1,531,850m3 no canal norte); Larguras de rasto: Barra e Central 200m, Zona Central 300m e Canal Norte var. 250-300m; Bacia de rotação: diâmetro 600m; Taludes de dragagem: 1:10 (V:H); Deposição de todo o volume dragado na base do delta, totalizando 2,870,128m3; Restrições de maré e/ou ondulação: aplicáveis aos maiores navios.  "




Relembramos a escalça abaixo para se perceber a dimensão:









E a questão é:


Que impacto tem no ambiente?


Pois, existe um documento ( ver integra abaixo pelo link) denominado "ESTUDO DE IMPACTE AMBIENTAL DO PROJECTO DE MELHORIA DA ACESSIBILIDADE MARÍTIMA AO PORTO DE SETÚBAL"


http://siaia.apambiente.pt/AIADOC/AIA2942/vol%20iv%20-%20rnt%2017%20marco2017323174925.pdf


E no qual se pode ler pag 18:


"O golfinho-roaz é uma espécie que está protegida por um conjunto de legislação nacional. Na região do Sado é possível observar, regularmente, ao longo de todo o ano, uma comunidade residente de golfinhos-roazes, sendo esta um dos poucos exemplos de populações com distribuição restrita e permanente na Europa.
(...)
Apesar da população do Sado apresentar hoje uma situação estável, devido à melhoria da taxa de sobrevivência das crias, é de destacar a existência de fatores de risco que dificultam a capacidade de recuperação da população e a tornam especialmente vulnerável a quaisquer perturbações, nomeadamente o reduzido efetivo populacional, a maturidade sexual tardia, a longa gestação e a reduzida área vital "


Mas quanto às conclusões de eventual impacto lemos então pag 23:


"Procedeu-se à avaliação, em separado, dos impactes das Fases A e B, quando tal foi considerado pertinente.
Conclui-se que é na fase de construção que ocorre a maior parte dos impactes tendencialmente negativos, embora também seja de evidenciar alguns impactes positivos, nesta fase, particularmente devido à criação de postos de trabalho, diretos e indiretos, e à dinamização da economia local, que está associada à realização da empreitada. Prevê-se a criação de cerca de 60 postos de trabalho diretos, na fase A, devido à realização da obra, e de cerca de 180 empregos indiretos. "


tb que


"será produzido um impacte negativo, pouco significativo, dado que o aprofundamento não é relevante, e que se prolongará para além da fase de construção, embora seja reversível, já que se está perante um sistema dinâmico e em permanente evolução "


Mas sobretudo ( e contrariando afirmações oficiais do Governo português quanto ao assunto) destacamos o abaixo e de um documento do próprio Porto de Setúbal:
"No que se refere aos impactes sobre os valores ecológicos e de conservação da natureza, resultantes da movimentação e alteração dos fundos, referem-se a perda de comunidades biológicas aquáticas, nomeadamente comunidades de organismos bentónicos (que vivem nos fundos), nas zonas a dragar e nas zonas de deposição de sedimentos. Este impacte é reversível devido à possibilidade de recolonização de zonas diretamente afetadas e passível de minimização, mediante a adoção de técnicas adequadas de deposição (deposição em camada fina através de métodos especiais).
Assinala-se que estudos efetuados pelo ex- IPIMAR em 2005 e 2009 referem o seguinte "(… pode dizer-se que as comunidades betónicas do estuário do Sado aparentam estar bem adaptadas às múltiplas pressões antropogénicas verificadas neste ecossistema. Com efeito, estudos anteriormente realizados neste estuário puseram em evidência o potencial de recuperações destas comunidades, particularmente no que se refere às atividades de dragagem)".



Por outro lado, foi analisada com particular cuidado a potencial afetação da comunidade de golfinhos roazes do estuário do Sado, tendo-se concluído que o ruído é o principal fator de perturbação desta espécie. As atividades de obra (dragagens e deposição de dragados) acarretam impactes negativos sobre este grupo faunístico, embora temporários, reversíveis e passíveis de minimização, tendo sido globalmente considerados como significativos. "


Ou seja, continuam:


"Em síntese, em termos gerais, os impactes sobre os valores ecológicos e de conservação da natureza, assumem uma significância baixa a moderada, devido à presença de algumas espécies de relevo do ponto de vista biológico e conservacionista. "


A ver se percebo, escreve-se "baixa  e moderada"... certo?


Há pontos positivos? Concretos, parece que sim, uns extraordinários 200 postos de trabalho ... em 2040...


"Quanto aos impactes positivos, no total, considerando os empregos diretos, as previsões apontam para uma média anual de criação de emprego de 143, atingindo o valor de mais 200 empregos, em 2040. "


E continuam:
"
Neste contexto, na fase de exploração são identificados impactes positivos, muito significativos, associados à criação de emprego e geração de riqueza no concelho de Setúbal e região enquadrante (Península de Setúbal) resultantes da implementação do projeto,"


De novo a ver se percebo, Roazes ameaçados = baixo e moderado; 200 postos de trabalho em 240 = muito significativo, percebi bem?


O estudo está disponível, link acima, na íntegra.
Que eu tenha conhecimento é o único que existe, nada exaustivo e, tomem a Vossa opinião, parece-me que despudoradamente tendencioso.


Conforme resumem:



"Da avaliação global efetuada conclui-se que, apesar dos impactes negativos, associados essencialmente à fase de construção, alguns dos quais pontualmente significativos, o projeto é viável do ponto de vista ambiental, já que realizado o balanço, os impactes positivos permanentes superam os impactes negativos, nomeadamente na fase de exploração. "


O que não se entende foi como chegaram à conclusão de que não tem qq impacto ambiental... que é, repete-se, a questão fulcral que levanta as maiores dúvidas.




Infografia de um Crime Ambiental

Fonte:
https://media.sossado.pt/infografia1/?fbclid=IwAR1dgDmdaHqHsagFQgbfysbq8HbTWeUHoHX4k3VhZO3MTM8nJiChHnTIQQc




Destaque: Ampliação do Cais de Embarque para 72 hectares. E um hectare a quanto equivale?